Archive for the ‘Ideias e Teorias’ Category

Pirataria

A palavra do momento eu acho.

Aproveitando o embalo das últimas postagens sobre SOPA e PIPA, achei que seria uma boa ideia falar sobre esse assunto tão polêmico. quanto mamilos.

O problema dessas duas leis é que elas basicamente tentaram controlar a internet do dia pra noite e da forma errada.
A ideia de que estamos numa “Terra de Ninguém” e que “o que cai na rede é peixe” está bem fixa na mente de muitos usuários.
E a ideia de que a pirataria precisa ser combatida a qualquer custo e os responsáveis punidos está bem fixa na mente dos donos de  grandes companhias.

Eu não vou tentar dizer quem está certo nessa história toda, mas vou tentar observar alguns detalhes. Afinal, tudo depende do ponto de vista… e da vista do ponto!

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Vamos ver… Existem pessoas que trabalham em áreas artísticas como quadrinhos, games, literatura, animação e por aí vai. Há quem trabalha em estúdio e recebe salário e também o pessoal indie (independente) que que possui um outro emprego e trabalha em freelances e projetos pessoais.

Toda essa galera aí também também precisa comer e pagar as contas.

Não é porque geralmente são apaixonados por essa área que escolheram e trabalham com algo que gostam que eles deveriam se sentir satisfeitos com isso. Eles estudaram, treinaram e deram um duro danado numa coisa que é difícil de ser feita e esperam receber algo em troca. Nada mais justo.

Talvez você mesmo queira trabalhar com alguma dessas coisas. Talvez você também seja um estudante de jogos digitais como eu. Então, por que você piratearia algo? Deveria entender sobre o valor do trabalho alheio (na verdade nem precisa estudar jogos digitais pra entender isso).
Ah, claro… Também existem as publishers, as gigantes com o capital que fazem os jogos rodarem o mundo e para isso elas ficam com 80% dos ganhos (70% quando são boazinhas), mas que gastam uma grana violenta com tudo mais, distribuição, propaganda, assistência em alguns casos… Isso quando ela também não é a própria desenvolvedora que produz games e desembolsa milhões para isso (sim, o orçamento de um game de grande porte hoje em dia não é nada barato).
Se você fosse responsável por uma empresa assim e fosse o seu pescoço que estivesse (com o perdão do trocadilho) em jogo?

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Mas e o consumidor?
Nós, proletários que geralmente nem sequer trabalhamos com o que gostamos de verdade, temos um salário mínimo risível e somos obrigados a tolerar preços abusivos de R$199,90 por um jogo por causa dos altos impostos?

E quando o produto que me oferecem nem é de uma qualidade compatível com o valor?
Tenho mesmo que mencionar aquela galerinha esforçada de Hollywood (que apoiou o SOPA, claro) com uma meta de produção de 78,3% de lixo audiovisual que eles apelidam carinhosamente de filmes? E quando ninguém compra o DVD colocam a culpa única e exclusivamente na pirataria.

Ah! E desculpe se eu não quero esperar o box de luxo da primeira e segunda temporada do meu seriado favorito chegar às lojas por um preço absurdo, ainda mais quando eu sei que já estamos na quarta temporada.
O quê? Assistir na televisão? Desculpe, mas eu só ligo aquela coisa pra jogar videogame ultimamente. Além disso, não estou afim de “marcar um encontro” com a TV. Eu só vou  se por acaso eu estiver entediado e decida pegar o controle para ver se passa alguma coisa que eu considere interessante eu vou assistir, mas eu não marcaria uma horário na minha agenda (mesmo que eu tivesse uma) só pra ver o programa X passando na hora Y do canal Z com uma dublagem que nem sempre corresponde com as expectativas.

E não, eu não acho que é uma opção desembolsar mais de duzentas pratas pra ter acesso a trocentos canais onde eu não vou ter tempo/vontade de assistir um quinto da programação e onde três quintos são de conteúdo inútil.

E a indústria da música, então? Pff… Vou deixar Jon Lajoie explicar como funciona.

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Certo, observando tudo isso parece ser mais complicado do que parece. Ou não.
Antes de continuar eu só gostaria de lembrar que NÃO sou a favor da pirataria, mas acho que é preciso dar uma olhada com mais atenção sobre a dita cuja.

E para isso, recomendo dar uma lida numa postagem bem interessante da Secular Games, um grupo que se meteu num trabalho perigoso e caótico… A produção de livros de RPG em formato PDF.
Não, o problema não é uma suposta crise no mercado que os RPGistas já sabem não existir, mas não é qualquer um que bota a cara a tapa em um nicho desse jeito e ainda coloca o link do torrent do próprio trabalho.

Das várias coisas que li no blog, essa de tratar a pirataria como concorrência foi uma ideia tão maluca, mas tão maluca, que poderia dar certo!

O pensamento de que “cada download é uma venda perdida” é completamente errado. Não funciona desse jeito.
Além disso, voltando rapidamente ao assunto de SOPA e PIPA, se leis assim fossem aprovadas um blog como o EquestriaBR poderia ser fechado sem aviso prévio e isso só faria mais mal do que bem. São os fãs que mantém uma determinada obra viva. A velocidade como as notícias se espalham na interNerd é muito alta, mas não dá pra acompanhar tudo de uma vez. Cada um escolhe suas fontes da forma que preferir e acaba sendo atingido por outras a partir de seus contatos.
Eu mesmo só conheci alguns jogos e séries por causa de memes que simplesmente pipocaram na minha tela quando acessei uma rede social.

Inspirado na postagem da Secular, decidi escrever do meu jeito um pouco sobre esses quatro comportamentos que nos levam a escolher o uso de um produto que não é original.

Mas eu tenho o original!
Quem é fã vai comprar o produto de qualquer jeito. Pode ser por já conhecer a franquia em questão ou simplesmente quer dar o apoio que os desenvolvedores esperam. Talvez até comprar coisas ligadas ao produto como gashapons de personagens. E mesmo assim, decide ter uma cópia pirata, que neste caso alguns poderiam até chamar de “cópia de segurança”. Mas por que alguém que compra o original teria uma versão ilegal?

Vejamos… Alguém pode possui o livro físico, mas também possui uma versão digital e leva no tablet por ser muito prático de carregar e também de encontrar alguma informação.
Ou então sobre jogos. Eu mesmo tenho vários jogos originais da Ubisoft que comprei no Steam ou na Nuuvem (outro dia eu escrevo mais sobre essas plataformas), mas as medidas de segurança de alguns desses jogos atrapalham tanto que eu tenho vontade de pegar a versão crackeada pra evitar toda aquela frescura. Afinal, eu já comprei o produto original, então por que justo eu que tenho que ter problemas em usufruir?

Aliás, a Ubisoft tem o péssimo hábito de colocar DRMs (digital rights management) muito chatos em seus games. E isso não afeta quem usa uma versão crackeada, ainda mais quando tais sistemas podem ser driblados em 24h.
Uma desenvolvedora de games de tal porte poderia pelo menos usar a criatividade e fazer como em Serious Sam, em que um inimigo invencível é criado quando detectado o uso de uma cópia falsa.

Falta de $$
Fulano vai comprar o seu produto. Não agora, mas assim que ele terminar de pagar a fatura do cartão de crédito. Ou então quando sobrar uma graninha. Ou está esperando uma promoção no Steam. Ou então, vou ser sincero, pode demorar bastante dependendo da lista de prioridades.
Não o culpe, ele apenas não queria ficar sem jogar Skyrim enquanto todo mundo só comentava do jogo e flechas no joelho.

Playtest
Nem todos os jogos possuem uma versão demo disponível. Alguns possuem demos com limites de tempo que não são interessantes. O “Playtester” quer saber tudo que o jogo têm a oferecer sem restrições.
E livros ou filmes então? Onde tudo que podemos contar geralmente são trailers ou resenhas espalhadas por aí? Não senhor, quem quer avaliar de verdade prefere fazer isso pessoalmente. E se realmente se sentir satisfeito, vai comprar seu produto sim.

Pirataria legítima
“Pra quê gastar dinheiro, se eu posso baixar de graça?” é um triste pensamento que não vai ser extinto tão facilmente. E é mais triste quando você sabe que isso vêm de alguém que tem grana pra pagar a conexão de 10mb.
Só que às vezes esta pessoa simplesmente não possui interesse no produto ou vai usufruir muito pouco dele. Existe até uma galera que apenas baixa por baixar para poder dizer “eu tenho” sem qualquer motivo aparente. Talvez seja um tipo de consumismo desenfreado num nível diferente do que imaginamos. Às vezes baixa para alguns amigos (por sorte, alguns podem ter alguns dos pensamentos descritos anteriormente).
A boa notícia é que não parece ser tão difícil reverter esse pensamento. A verdade é que todo mundo prefere ter um produto original, mas novamente pode cair na questão dos preços, o que nos leva até…

…a Luz no Fim do Túnel

Existem aqueles que depositam a confiança em seus consumidores e recebem uma resposta positiva em consequência!

É o caso do Humble Indie Bundle que monta um pacote com vários games de desenvolvedores independentes e deixa você dizer o preço, se você pagar pelo menos um certo valor também ganha mais vantagens.
Também temos a LEDD HQ http://www.leddhq.com.br/ de J.M. Trevisam e Lobo Borges. Uma história em quadrinhos com traço em estilo mangá que é postada online periodicamente e também possui versão encadernada que você pode pedir na loja da Jambô!
Até mesmo o Manual 3D&T Alpha que possui uma versão digital gratuita no próprio site da Jambô e que não tem nem marca d’água, mas conseguiu vender tão bem que esgotou a versão impressa, o que levou a uma nova impressão com algumas correções.
Também temos Steam, a Nuuvem  e o Gog.com, lojas online que vendem games através de downloads. Através de preços justos e promoções geniais, todos conseguiram reunir usuários fiéis e crescem cada vez mais.

As próprias grandes desenvolvedoras de games já perceberam que no Brasil o que mais atrapalhava a venda de jogos não era a pirataria, mas os tais impostos. Elas vieram para cá para fazer a diferença. Como a Blizzard que até mesmo lançou versões traduzidas e dubladas de suas obras como Stracraft II e World of Warcraft.

A pirataria existe e não vai deixar de existir. É um obstáculo que precisa ser contornado com criatividade.
Tente imaginar se você tivesse um concorrente que consegue lançar os produtos exatamente iguais aos seus, com tempo de lançamento de no máximo um mês de diferença e o grande detalhe: de graça.
O que fazer?
Ora, você deve estudar seu concorrente! O que você sabe dele?
Vejamos… Ele é antigo pra caramba, mas não dá um suporte aos seus usuários. Ele não é criativo, nem original, precisa que você faça alguma coisa para então copiar.
Ele não consegue oferecer bônus e extras do produto, nem contratar pessoas talentosas para fazer outros trabalhos.
Ele faz propaganda de graça pra você e vários de seus clientes podem migrar para sua “loja”.

Existem outros fatores que poderia ser vistos, mas acho que a postagem está de bom tamanho. E você, o que você acha da Pirataria e como combatê-la sem ferir todas as vantagens e direitos que ganhamos através da internet?

Hello, World!*

A primeira sexta-feira 13 de 2012 e início efetivo do blog. Qual a relação? Nenhuma, mas eu cismei que queria nesta sexta e agora vou fazer o possível para postar algum conteúdo útil com alguma frequência.

Pois bem, se você ainda não clicou alí encima para saber sobre o Autor (eu) ou Sobre o Blog (este) essa é uma boa hora para fazê-lo. Vai lá, eu prometo que não saio daqui.

Pronto? Maravilha.
*ca-ham*

Pois bem, eu quero usar este blog para postar algumas ideias como um sistema caseiro de RPG, histórias em quadrinhos, contos, jogos digitais… E  o que mais der na telha.
Só que não é para ser portfólio online. Eu quero “desconstruir” alguma das coisas que fizer, mostrar as peças do relógio para tentar entender como ele funciona (ou deixa de funcionar).
E também vou tentar mostrar algumas engines de desenvolvimento de games e talvez uma notícia ou outra, mas tudo de forma descontraída.
O blog anda está no começo, mas espero que possa crescer aos poucos e ficar com uma cara mais simpática.

Vou então aproveitar esta primeira postagem para explicar porque eu gosto dessas formas de arte respondendo uma única pergunta que muitos aspirantes já devem ter ouvido.
“Por que se importar com essas bobagens de jogos, quadrinhos e blablabla? Por que se aprimorar logo nisso ao invés de coisas verdadeiramente úteis?”

É simples.
Sabe aquele filme, livro, jogo ou história que fez você pensar melhor sobre um assunto, sonhar acordado, ou pelos menos dar boas risadas?
Tudo começou com uma simples ideia. E foi se desenvolvendo até chegar em você e mexer com seus sentimentos.
É provável que você deva até mesmo um pouco da sua personalidade a várias pessoas talentosas que dedicaram um pouco do seu tempo para fazer essas “bobagens”. Eu sei que eu devo.

E eu quero fazer o mesmo que elas. Fazer alguma diferença na vida de alguém.

E não se esqueça!
“Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar”


Por hoje é só. Volte sempre! “And thanks for all the fish!”

*Não. Eu não esqueci de trocar o título padrão do primeiro post do WordPress. “Hello World” é um daqueles “ritos de passagem”, sabe? É como quando você começa a aprender animação no Flash e então você começa a movimentar uma bolinha pela tela, ou talvez o “Good morning, my name is…” das aulinhas de inglês. Se você está começando a programar, provavelmente uma das primeiras coisas que vai aprender independente da linguagem usada é fazer aparecer esse “Hello, World!” na tela através de um printf ou algo que o valha. Bom, vamos manter algumas tradições vivas.